quarta-feira, 10 de maio de 2017

CONHECIMENTO E UTILIZAÇÃO DAS ERVAS MEDICINAIS

Conhecido como Fitoterapia, é o tratamento através das plantas, sejam elas frescas ou secas, tanto na forma de chás, tinturas, compressas/cataplasmas/emplastros, como também na apresentação de cápsulas sem serem sintetizadas.

Mesmo considerada ainda pela maioria dos médicos da medicina tradicional como crendice popular até nos dias de hoje, a população vem utilizando a fitoterapia principalmente onde não há nenhum recurso alopático como em áreas distantes dos centros urbanos e até para uso complementar nos tratamentos convencionais.

Desde tempos remotos era utilizada para tratamento e até cura de muitos males. Muitos conceitos já foram mudados e atualmente as pesquisas científicas confirmam os benefícios de muitas plantas para o uso terapêutico. A Organização Mundial da Saúde (OMS) admite que essas plantas medicinais estão sendo utilizadas três vezes mais do que os medicamentos convencionais. Muitas ervas em cápsulas já são devidamente registradas pelo Ministério da Saúde (MS).

Essas ervas tanto frescas, desidratadas, quanto em cápsulas são facilmente encontradas em muitas farmácias convencionais e de manipulação, em feiras livres, nas prateleiras de supermercados e de lojas de produtos naturais.

A nomenclatura científica de uma planta é muito importante para tirar qualquer dúvida em relação ao nome popular ou a sua aplicação. A partir dos nomes populares e científicos e também das propriedades medicinais de uma planta pode-se escolher entre cápsulas encontradas comumente em farmácias e lojas de produtos naturais, tinturas, que podem ser feitas em casa e ervas secas ou mesmo as frescas, encontradas também em lojas especializadas e  em feiras livres ou em hortas, no caso das frescas, claro.

 
Vale uma dica: Se for para colher não colha as plantas muito próximas de beira de estradas pois seus princípios medicinais são alterados pelo monóxido de carbono expelido pelos veículos; também as que estiverem próximas às torres de rede elétrica e evite também colher as plantas na época de inverno quando as propriedades medicinais estão em baixa; prefira na primavera ou verão; porém, não há preferência de estação para consumo imediato. Na dúvida, o melhor é obter essas ervas já devidamente desidratadas, compradas já prontas em pacotinhos, mas sempre em lojas especializadas e não aquelas vendidas em caixinhas de supermercados, pois normalmente não é a mesma coisa.

Formas de preparo de chás ( para uso interno, gargarejos e bochechos, banhos (lavagens locais), inalações e para compressas):

a) Chá por infusão - Ferva a água, desligue o fogo na primeira fervura. Derrame sobre a erva dentro do recipiente. Tampe,  aguardando uns 10 minutos, coe e beba o chá com ou sem adoçar.

b) Chá por decocção - Sempre dobre a quantidade  de água para esse processo; coloque a erva no recipiente junto com a água, cozinhe em fogo brando por 5 minutos após a fervura. Retire do fogo, espere amornar, coe e beba ou utilize o chá.

c) Chá por maceração - Geralmente é empregada essa técnica para banhos, cataplasma ou compressas. Com as mãos, pique somente folhas frescas em uma pequena tigela com água fria; depois esfregue-as uma nas outras até obter um sumo bem forte na água. Se preferir, soque a erva num pilãozinho próprio (não pode ser em recipiente de metal). O ideal é empregar imediatamente, mas pode-se guardar por até 12 horas no máximo e na geladeira.


Recomendações básicas:

* Utilize a proporção para qualquer forma de preparo ou tipo de chá - 1 copo de água (200ml) para cada colher cheia (sopa) da erva seca (desidratada)  ou duas colheres cheias da planta fresca (in natura) picada, podendo também reduzir pela metade na proporção de 1 colher (sopa) rasa para 100ml de água.

* Verifique sempre a data de validade de qualquer produto ou quaisquer alterações, seja em ervas desidratadas ou em cápsulas. Cápsulas mesmo dentro da data de validade, após abertas têm validade reduzida de no máximo 6 meses. O mesmo se dá para as ervas soltas desidratadas em pacotinhos. Conserve o produto sempre bem tampado e longe da umidade.

* Evite utilizar utensílios de metal (alumínio, cobre, inox ou ferro) para fazer o chá; prefira os de ágata, cerâmica, vidro ou mesmo antiaderente mas que não esteja danificado. Vale o mesmo para as xícaras ou canecas na hora de beber.

* Se desejar adoçar, utilize mel, adoçante estévia ou açúcar mascavo, evitando o açúcar refinado, pois geralmente ocorre fermentação.

* Depois de pronto, não armazene os chás por mais de 24 horas, mesmo sob refrigeração. Eles se oxidam e perdem as propriedades curativas. O melhor é consumir imediatamente.

* Apesar de não haver contraindicação na maioria das ervas medicinais, principalmente as de uso mais comum como hortelã, erva-doce, capim-cidrão, melissa, camomila, etc, não é aconselhável abusar dos chás, especialmente os de ervas menos usuais, seja em que forma de preparo for. No máximo, três xícaras pequenas ao dia e não para uso prolongado. Neste caso e na dúvida, prefira as cápsulas que já vêm com a dose e o tempo recomendados, porém, sempre é bom no início tomar metade da dose (ex.: em vez de 3 cápsulas ao dia, tomar apenas 1 ou 2, e assim por diante). Alguns médicos inclusive são contra a fitoterapia, justamente porque a população acha que por serem naturais, não fazem nenhum mal e acabam abusando, levando em muitos casos até a morte! Portanto, muito cuidado também para quem estiver gestante, amamentando, menstruando, portador de doença crônica, de certos tipos de alergia, pois muitas ervas podem ser perigosas nessas situações. Consulte seu médico ou fitoterapeuta nesses casos.

* Assim que desaparecer os sintomas ou obtiver uma melhora, pode parar de utilizar os chás ou tinturas/extratos (seja para gargarejos, bochechos, banhos e de uso interno e mesmo na utilização de compressas). Da mesma forma, se persistir ou piorar o problema, suspenda imediatamente.

* As cápsulas podem ser utilizadas por no máximo até 3 meses, parando por mais 3 meses e se precisar, podendo recomeçar a tomar por mais 1 a 3 meses conforme necessidade. É bom ter uma orientação de um terapeuta nessa área em casos de dúvidas, pois cada caso é um caso e cada pessoa reage de maneira diferente a química das plantas em geral. Nunca se esqueça disso!

* Evite misturar algumas ervas com outras, pois pode causar toxicidade, dependendo da planta. Novamente procure orientação com especialista no assunto. Engana-se quem pensa que quanto mais plantas misturadas para o mesmo fim, chamados de "compostos" dará maiores resultados, pois cada organismo vai responder diferente à propriedade de cada planta e às vezes podem surtir efeitos contrários. Na dúvida, o melhor é utilizar uma de cada vez para ver como seu organismo reage.

* De preferência, tome os chás longe das refeições, exceto aqueles indicados para estimular as funções digestivas.

* Não substitua o tratamento convencional pelo fitoterápico a não ser em casos específicos e recomendado pelo seu médico.

* Cataplasma/compressas ou emplastro, devem ser aplicados quentes sobre o local, algumas vezes envolvidos em pano limpo ou gaze. Podem ser feitos com ervas frescas ou secas ou na forma de pasta. Ervas frescas: Amasse as ervas e aplique-as diretamente na área afetada. Ervas secas: Umedeça com água ou álcool, coloque em um saquinho de pano, aqueça e aplique sobre o local. Pasta: Mergulhe a erva em vinagre de maçã e misture farinha integral ou fubá para dar liga. Espalhe a mistura quente e úmida em um tecido limpo e aplique sobre o local. Se precisar, aplique óleo de bebê na pele antes de aplicar uma cataplasma quente. Um pedaço de plástico sobre a cataplasma conserva o calor. Geralmente a aplicação desse tipo de utilização deve durar em média de 10 a 20 minutos sobre a região afetada e não deve ser aplicada sobre mucosas. Nestes casos prefira os banhos (lavagens locais na temperatura morna ou fria conforme o problema).

* Tinturas são feitas com álcool em vez de água para conservar as propriedades terapêuticas das ervas por mais tempo. Deixe as ervas frescas ou secas trituradas e mergulhadas em álcool dentro de um recipiente (na própria garrafa do álcool que não precisa ser 70) durante 8 a 10 dias no mínimo e no máximo por 15 dias. Após esse tempo, coe em peneira fina e depois em filtro de papel ou coador de pano (descartando depois), guardando a garrafa sempre em local escuro. A proporção não precisa ser precisa, podendo ser na quantidade equilibrada , pois não vai ser ingerida, apenas aplicada no local afetado com auxilio de uma gaze ou pano limpo.

* Chás para bochechos e gargarejos não precisam ser adoçados. É utilizado na maioria das vezes morno e após escovar bem os dentes. Após a utilização não ingerir nada (nem água) por pelo menos 30 minutos para que o chá possa agir melhor. Pergunte ao médico ou fitoterapeuta a melhor forma de uso (número de vezes por dia e por quanto tempo).

* Inalação: Através do vapor do chá e utilizando uma toalha sobre a cabeça para que o vapor não escape. Existem também aparelhos próprios para inalação. O tempo em média normal é de até 20 minutos. Atenção: Nem todas as pessoas têm tolerância a essa forma de tratamento; entretanto se for recomendado, procure ficar o menor tempo possível (inferior a 10 minutos). Não saia ao vento depois. De preferência faça à noite antes de deitar.

* Banhos (Lavagens locais): Para os olhos e normalmente para partes íntimas, de uso externo, exceto por recomendação do fitoterapeuta e devidamente orientado. O chá (maceração ou decocção) deve ser colocado em uma vasilha (bacia ou comadre) de plástico ou ágata e usada somente para essa finalidade, previamente higienizada antes e depois da lavagem, de preferência com bicabornato de sódio ou álcool 70 (para o caso de lavagens íntimas). Depois de usada e devidamente limpa, essa vasilha deve ser conservada dentro de um saco plástico também limpo e bem guardado.  A medida pode ser de 1 litro para 5 colheres cheias (sopa) da erva desidratada ou fresca e normalmente na forma de decocção. As partes a serem banhadas  com o chá devem ser lavadas normalmente antes com sabonete neutro ou recomendado pelo médico e depois utilizar o chá para lavagem local, enxugando com uma toalha felpuda limpa. 
Para as áreas dos olhos, utilizar uma gaze. Obs.: Não usar no pós cirurgias!

* Observe que Fitoterapia,  Floralterapia e Aromaterapia são terapias com sutis diferenças, embora todas com a mesma eficiência.



A seguir, algumas ervas em cápsulas que podem ser encontradas em farmácias e lojas especializadas (normalmente contêm as fórmulas de cada erva e registro no MS). Leia atentamente as especificações da bula e utilize conforme orientação de profissionais da área ou como preventivo, metade da dosagem.

Acerola: Rica em vitamina C. Possui ação antioxidante e auxilia na renovação celular.
Alcaçuz:  Atua como anti-inflamatório das vias respiratórias.
Alcachofra:  Reduz a taxa de gordura no sangue.  Combate o mau funcionamento do sistema hepatobiliar. Facilita a digestão de gorduras.
Alfafa: Indicado na falta de apetite, má digestão e afecções nervosas.

Berinjela: Auxilia na diminuição do colesterol. Combate a arteriosclerose. É diurético.
Carvão vegetal: Absorve gases formados no intestino e é indicado  para desconfortos abdominais. Útil também na halitose.
Cáscara sagrada:  Indicada nos casos de prisão de ventre. Laxante.
Castanha-da-índia: Auxilia nos casos de má circulação sanguínea, varizes, hemorróidas. Tônico e vasoconstritor.
Cavalinha: Indicado como estimulante das funções renais apresentando propriedades diuréticas e depurativas. Também utilizada na forma de chás.
Centella asiática: Atua no tratamento da celulite, da gordura localizada e ativador da microcirculação.
Cimifuga: Combate sintomas do climatério, principalmente as ondas de calor, conhecidas como "fogachos".
Chapéu-de-couro: Famoso diurético. Eficiente analgésico contra os males urinários e impurezas do sangue. Utilizada também na forma de chás.
Espinheira santa: Excelente auxiliar no tratamento da úlcera gástrica e dispepsias (má digestão). Reduz a acidez estomacal. Pode ser utilizada na forma de chás.
Garra do diabo: Função antiinflamatória, indicado nos casos de artrite, reumatismo, artrose, bursite, fibromialgia, epicondilite e tendinite.
Germe de trigo: Contém vitamina E e age como antioxidante e antiestresse.
Ginkgo biloba: Vasodilatador cerebral; contém substâncias ativas capazes de melhorar a memória e a concentração. Ajuda nos casos de labirintite e vertigens. Também pode ser utilizada na forma de chás.
Ginseng: Melhora o metabolismo e a memória; possui ação antifadiga e antioxidante, ajudando na renovação celular.
Guaraná: Estimulante do sistema nervoso; favorece a concentração.
Hipérico (Erva-de-são-joão): Auxilia no tratamento dos estados depressivos leves e estados mentais de negativismo.
Kava-kava: Auxilia no alívio dos estados de ansiedade, insônia, nervosismo e agitação; atenua os medos e fobias em geral.
Lecitina de soja: Rico em proteínas; auxilia na redução do colesterol e do triglicerídio na circulação sanguínea; previne a arteriosclerose.
Maracujá: Reconhecido por suas propriedades terapêuticas calmantes; bom para casos de insônia, irritação e impaciência. Similar ao Kava-kava. Também pode ser utilizada na forma de chás. Boa também para hipertensão arterial.
Pata-de-vaca: Tratamento diabético e suas manifestações.
Pólen de flores: Atua como um reanimador e estimulante natural. Importante no tratamento da anemia e reforça os meios de defesa do organismo. 
Quebra-pedra: Excelente ação sobre cálculos renais e problemas das vias urinárias. Eficaz no tratamento do ácido úrico e também no diabetes. Pode também ser utilizada na forma de chás.
Sene: Indicado para a constipação intestinal, prisão de ventre; tem ação laxativa e purgativa conforme dosagem. Utilizada também na forma de chás.
Spirulina: Alga unicelular que combina uma alta concentração de proteínas, clorofila e vitaminas do complexo B. Excelente suplemento nutricional para complementar uma dieta desequilibrada ou carencial.
Unha-de-gato: Reconhecida por suas propriedades antiinflamatórias; é indicada no tratamento de enfermidades reumáticas (artrite, osteartrite).
Vitex: Para o tratamento de alterações do ciclo menstrual, dor nas mamas e hiperprolactinemia (níveis elevados de prolactina no sangue)



Algumas plantas mais conhecidas e suas propriedades medicinais:

Aloe vera (babosa): Aplicado sobre a pele para queimaduras em geral. No couro cabeludo para combater a caspa e a queda dos cabelos. Usa-se a parte interna das folhas.
Arnica: Analgésica, antiinflamatória; estimulante circulatório. Para  dores musculares e também para tratamento de hematomas causados por pancadas. Utilizado comumente na forma de tinturas.
Anis estrelado: Digestão difícil, para gases e antiespasmódico.
Arruda: Somente para uso externo em compressas para dores de ouvido causadas pela otite (inflamação do ouvido)
Boldo-do-chile: Afecções e protetor do fígado. Este chá é comumente usado com mais eficiência na forma de maceração, tanto frio quanto morno e não deve ser adoçado.
Calêndula (flores): Cicatrizante quando usado em emplastro principalmente nas acnes. Infusão: gripes e dores viscerais.
Camomila: Excitação nervosa. Insônia. Digestão. Calmante para pele: usado como compressas frias ou geladas para olheiras e inchaços ao redor dos olhos. Flatulência. Dores estomacais, intestinais. perturbações do climatério. Menstruação dolorosa ou excessiva. Também pode ser utilizado em inalações.
Cravo-da-índia/ canela: Digestão. Mau hálito e anti-gripal. Dores de dentes. Rouquidão (cravo-da-índia)
Erva-cidreira: Calmante e anti-espasmódico. Para enxaquecas. Insônia nervosa.
Erva-doce: Gases intestinais, cólicas e enjoos.
Eucalipto: Doenças do trato respiratório, também pode ser usado em inalações. Expectorante e descongestionante.
Gengibre: Atua nas inflamações do trato digestivo e da garganta. É digestivo e auxilia nas gripes e resfriados. Também alivia enjoos, principalmente associados aos movimentos de viagens longas como  barcos, carros por exemplo e para enjoos pós operatórios.
Guaco: Expectorante. Descongestionante em sinusites. Antiasmático.
Hibiscus: Aromatizante. Antiespasmódico. Diurético e laxante suave. 
Hortelã: Fadiga geral. Antiparasitário. Digestivo. Flatulências (gases). Vômitos na gravidez. Halitose. Reumatismo, artrite, artrose e dores musculares  (tintura).
Sálvia: anti-inflamatório estomacal. Aromatizante. Ótima contra gases.
Macela: para enjoos em geral, principalmente por intoxicação alimentar. Halitose.
Malva: Anti-inflamatório bucal. Nas gengivites, aftas, amigdalites, faringites.
Poejo: Ajuda a acalmar o estômago em casos de enjoos. Vermífugo.
Rosa branca: ótimo para irritação e inflamações nos olhos - usado para banhar os olhos com o chá frio tanto com as rosas desidratadas  (decocção) quanto frescas (maceração ou decocção). Após cirurgias usar somente com orientação médica. Útil também nas inflamações do útero (em lavagens externas). Como calmante e para insônia (infusão).

Obs.: Alguns chás para uso interno devem ser utilizados sem adoçar para melhores efeitos.









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